6 Direitos da Aprendizagem

A Base estabelece que a Educação Infantil é uma etapa essencial para a construção da identidade e da subjetividade das crianças. Como primeira etapa da Educação Básica, na Educação Infantil vem se estabelecendo a concepção que vincula educar e cuidar, entendendo o cuidado como algo inseparável no processo educativo.

As interações durante as brincadeiras, caracteriza o dia-a-dia da infância, trazendo muita aprendizagem e habilidades para o desenvolvimento integral das crianças. Ao observar essas interações e as brincadeiras entre as crianças e delas com os adultos, é possível observar expressões de afeto, a mediação das frustrações, a resolução de conflitos e a regulação das emoções (BRASIL, 2017, p. 35).

De acordo com os eixos estruturantes das práticas pedagógicas, a BNCC trás consigo seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento, na Educação Infantil, que asseguram as condições para que as crianças aprendam em situações nas quais desempenham um papel ativo em ambientes que as convidem a vivenciar desafios, possam construir significados sobre si, os outros e o mundo social e natural (BRASIL, 2017, p. 35).

A BNCC certifica a complexidade no aprendizado, conforme as crianças crescem. Com isso, ressalta-se a necessidade de estruturar e organizar as situações de aprendizagem.

Abaixo, abordaremos os 6 direitos da aprendizagem e como garanti-los seguindo as orientações da especialista Maria Virgínia Gastaldi:

1-Conviver: segundo a BNCC, “Conviver com outras crianças e adultos, em pequenos e grandes grupos, utilizando diferentes linguagens, ampliando o conhecimento de si e do outro, o respeito em relação à cultura e às diferenças entre as pessoas”.

A especialista Maria Virgínia Gastaldi afirma que, para garantir esse direito, é importante que a criança participe da organização da convivência do grupo, envolvendo-as nas tarefas do cotidiano como, por exemplo, a organização do ambiente das refeições ou a interação por meio dos jogos para que elas aprendam a a conviver em situações em que se é necessário respeitar regras.

2-Brincar: segundo a BNCC, “Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais”.

A especialista afirma que, para garantir esse direito, é fundamental as brincadeiras estarem presentes na rotina da criança, e o adulto deve acolher e enriquecer essa experiência de maneira planejada e variada. Visto que, através da observação da interação dos pequenos, o professor poderá conduzir a brincadeira acrescentando outros matériais que auxiliem o desenvolvimento da brincadeira ou que contribuam para o enriquecimento de outras experiências.

3-Participar: segundo a BNCC, “Participar ativamente, com adultos e outras crianças, tanto do planejamento da gestão da escola e das atividades propostas pelo educador quanto da realização das atividades da vida cotidiana, tais como a escolha das brincadeiras, dos materiais e dos ambientes, desenvolvendo diferentes linguagens e elaborando conhecimentos, decidindo e se posicionando”.

A especialista inicia dando um exemplo clássico que é a construção de casinhas de brinquedos. O professor deve envolver as crianças no desenvolvimento de cada etapa da contrução, de modo que elas ajudem a decidir como deverá ser a estrutura, a cor, os matériais utilizados etc. Com isso, o professor poderá observar o que elas já fizeram e o que ainda poderá ser feito. Isso permite que elas participem das decisões que dizem respeito a elas mesmas e ao cotidiano coletivo.

4-Explorar: segundo a BNCC, “Explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções, transformações, relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza, na escola e fora dela, ampliando seus saberes sobre a cultura, em suas diversas modalidades: as artes, a escrita, a ciência e a tecnologia”.

A especialista destaca que esse direito é fundamental para permitir que as crianças explorem sozinhas os matériais disponibilizados pelo professor elementos simbólicos como, por exemplo, músicas e histórias. Com isso, o professor pode criar momentos de reflexão e, por meio da observação e da escuta, ele poderá ver o que é pertinente e necessário para os pequenos.

5-Expressar: segundo a BNCC, “Expressar, como sujeito dialógico, criativo e sensível, suas necessidades, emoções, sentimentos, dúvidas, hipóteses, descobertas, opiniões”.

Maria Virgínia afirma que rodas de conversas são indispensáveis para que as crianças garantam seus direitos. É essencial que situações como essas sejam frequentes para que o professor possa expor materiais variados e a criança explore e se expresse por meio de diferentes linguagens.

6-Conhecer-se: segundo a BNCC, “Conhecer-se e construir sua identidade pessoal, social e cultural, constituindo uma imagem positiva de si e de seus grupos de pertencimento, nas diversas experiências de cuidados, interações, brincadeiras e linguagens vivenciadas na instituição escolar e em seu contexto familiar e comunitário”.

Virgínia cita que várias atividades contribuem para que esse direito seja garantido, no entanto, existem estratégias para se pensar especificamente sobre ele. Nesse momento, é essencial para o professor ajuda-los a se perceberem e aprenderem o que gostam, criando situações simples, mas que auxiliem para eles conhecerem a si próprio e ao outro.

"Percebe-se, portanto, a imensa importância da Educação Infantil no desenvolvimento do indivíduo, como a base mais profunda para a evolução de sua educação e crescimento como cidadão", MEDEIROS, Elita. Educação Infantil: os seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento garantidos na Base Nacional Curricular Comum.